Oscar, mulheres e filmes imperdíveis

Originalmente publicada na Coluna de Cinema da décima edição da Revista Ipê.

 

Oscar, mulheres e filmes imperdíveis

 

Por Marina Alvarenga Botelho – Jornalista e especialista em cinema

Em março de 2016 tivemos a 88.ª cerimônia de entrega dos Academy Awards, ou comumente conhecido com Cerimônia do Oscar. Desde o ano passado, um assunto que tem movimentado prêmios de cinema e T.V. é a presença de mulheres no meio audiovisual, e, principalmente, a presença de mulheres negras.

Na cerimônia do Emmy de 2015, um dos mais importantes prêmios de televisão, a atriz Viola Davis, vencedora como melhor atriz pelo seriado “How to Get Away With Murder”, fez um discurso marcante, ao dizer que “A única coisa que diferencia as mulheres negras de qualquer outra pessoa é a oportunidade”.

Não só as mulheres em representam a minoria como atrizes em papéis principais dos filmes, mas também em funções relacionadas à produção, em papéis mais técnicos, como por exemplo, edição e efeitos especiais. Além disso, os dez melhores salários de Hollywood vão para homens.

A forma como a mulher é retratada nos filmes, séries e novelas também é bem discrepante, em relação aos homens. Uma pesquisa do Centro de Estudo Sobre Mulheres na Televisão e no Cinema, da San Diego State University, divulgada pela revista Elle[1], apontou que “58% das mulheres só são escaladas para interpretar papéis sociais, como mães, esposas, amantes e não profissionais. O que, no caso dos homens, é o contrário: 61% deles são identificados por suas profissões”. As mulheres ainda tem um longo caminho a trilhar.

Como mulher, feminista, cinéfila e estudiosa de cinema, nada mais propício do que dedicar essa, que é a minha primeira coluna sobre cinema, às mulheres, aproveitando a deixa do Dia Internacional das Mulheres, comemorado em oito de março e aos filmes indicados e vencedores do Oscar.

 

A Estatueta

Apesar de minoria, o número de mulheres indicadas ao Oscar tem crescido. Esse ano, apenas as categorias de direção, fotografia, trilha sonora, edição de som e mixagem de som não tiveram indicações femininas, o que já é um grande avanço, tendo em vista que a Academia é formada majoritariamente por homens.

Felizmente, e comprovando a força que a luta diária contra o machismo tem, a cerimônia do Oscar, que aconteceu em 28 de fevereiro, premiou 12 mulheres, em dez das 22 categorias possíveis (sendo que duas são exclusivamente para atores). Esperamos que, a cada ano, mais mulheres consigam se inserir mais no mercado audiovisual, obtendo a devida visibilidade e reconhecimento.

 

Minhas indicações

Pensando em tudo isso, selecionei o que, para mim, não foram somente ótimos filmes, mas obras que destacaram mulheres maravilhosas, como persona, personagem, atriz ou nos bastidores.

 

ROOM (O Quarto de Jack)

3504

Vencedor do prêmio de melhor atriz para Brie Larson, foi o último dos filmes indicados ao Oscar que eu vi, mas digo, sem dúvida, que foi o mais chocante. Uma mãe tenta proteger o filho de uma situação de extrema violência e cria um mundo fantástico. O que mais me chamou a atenção foi as ressignificações de Jack no decorrer do filme.

 

MAD MAX: FURY ROAD (Estrada da Fúria)

Film Review-Mad Max: Fury Road

Foram seis estatuetas, sendo que cinco dessas foram para mulheres, nas categorias figurino, edição, cabelo e maquiagem e direção de arte. Um filme de protagonismo feminino fortíssimo, feito por mulheres. Em um cenário pós-apocalíptico, mulheres lutam para se libertar de uma violenta escravidão e acabam encontrando Max, que se junta a elas em uma jornada frenética. O filme chama atenção pela quase ausência de efeitos computadorizados. Explosões e cenas incríveis foram realmente feitas. As escolhas do diretor George Miller fizeram de Mad Max um dos melhores filmes de 2015.

 

 

WHAT HAPPENED, MISS SIMONE?

Photo of Nina Simone

Indicado ao prêmio de melhor documentário, não venceu nenhuma estatueta, mas não deixa desejar nos quesitos de uma boa história, de uma mulher incrível. O filme retrata a história de Nina Simone, uma artista negra norte-americana, e suas muitas lutas, seja como musicista, mãe, mulher ou ativista do movimento negro da década de 60. Disponível no Netflix, o documentário é construído com imagens de arquivo, e entrevistas raras. Sem contar a trilha sonora, que dispensa comentários!

[1] http://mdemulher.abril.com.br/moda/elle/a-diferenca-de-salarios-entre-homens-e-mulheres-na-industria-do-cinema  Reportagem de 21/08/2015

 

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